15 de maio de 2011

INFLAÇÃO E DERIVADOS, PLANO CRUZADO (GOVERNO SARNEY) E REPÚBLICA DE WEIMAR


Nós já ouvimos muitas vezes a palavra inflação. Em aula percebo uma curiosidade alta em relação a este conceito. Busquei aqui algumas informações sobre inflação, hiperinflação e deflação, e, posteriormente coloquei duas situações históricas onde podemos encontrar a inflação e hiperinflação. Ligarei os conceitos com uma explicação da situação econômica do Plano Cruzado (Governo Sarney) e da República de Weimar, na Alemanha do período Entre - Guerras. No caso da deflação observem atentamente a tabela I, verão que há um curto período de deflação entre 1985 e 1986.


INFLAÇÃO:
A “Inflação é um conceito econômico que representa o aumento de preços dos produtos num determinado país ou região, durante um período. Num processo inflacionário o poder de compra da moeda cai. Por exemplo: num país com inflação de 10% ao mês, um trabalhador compra cinco quilos de arroz num mês e paga R$ 10,00. No mês seguinte, para comprar a mesma quantidade de arroz, ele necessitará de R$ 11,00. Como o salário deste trabalhador não é reajustado mensalmente, o poder de compra vai diminuindo. Após um ano, o salário deste trabalhador perdeu 120% do valor de compra.
“A inflação é muito ruim para a economia de um país. Quem é mais prejudicado são os trabalhadores mais pobres, pois não conseguem investir o dinheiro em aplicações que lhe garantam a correção inflacionária. Citaremos as algumas das principais causas da inflação:
- Emissão exagerada e descontrolada de dinheiro por parte do governo;
- Demanda por produtos (aumento no consumo) maior do que a capacidade de produção do país;
- Aumento nos custos de produção (máquinas, matéria-prima, mão-de-obra) dos produtos.
“ No Brasil, existem vários índices que medem a inflação. Os principais são: IGP ou Índice Geral de Preços (calculado pela Fundação Getúlio Vargas), IPC ou Índice de Preços Ao Consumidor (medido pela FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), INPC ou Índice Nacional de Preços ao Consumidor (medido pelo IBGE) e IPCA ou Índice de Preços ao Consumidor Amplo (também calculado pelo IBGE). No ano de 2010, a inflação brasileira foi de 5,91 % (IPCA).”


Tabela I - Inflação Mensal do Brasil de 1985-1997

HIPERINFLAÇÃO:
“A hiperinflação é uma inflação acima dos níveis considerados toleráveis. De acordo com muitos economistas, pode-se considerar hiperinflação quando o índice fica acima de 50% ao mês.
“Um país que passa por um processo hiperinflacionário sofre com a alta elevada dos preços dos produtos e forte desvalorização da moeda. A recessão econômica (retração do PIB – Produto Interno Bruto) também pode ser um dos efeitos da hiperinflação.
“Como exemplo de hiperinflação no Brasil, podemos citar o mês de março de 1989, quando a inflação chegou a 81%.”
Fonte:


 Tabela II - HIPERINFLAÇÃO: VARIAÇÃO DO VALOR DA FATIA DE PÃO
 DURANTE A REPÚBLICA DE WEIMAR.

DEFLAÇÃO
“A deflação é a redução do nível geral de preços, de forma persistente (vários meses consecutivos) e aplicada à uma grande diversidade de produtos. A deflação é à oposição da inflação, seria uma inflação negativa, ou seja, a menos de 0%.
“A deflação pode ser gerada pela baixa procura de um produto ou serviço, ou pela maior oferta, ou seja, muito produto no mercado e, por fim, pelo volume de moeda em circulação. Não se deve confundir deflação com desinflação, que é a redução do ritmo de alta de preços num processo inflacionário. Quando a inflação cai do patamar de 10% ao mês para o de 5%, por exemplo, pode-se dizer que houve desinflação. Deflação é quando os preços médios recuam, ou seja, a taxa torna-se negativa. As empresas reduzem preços como única alternativa de venda e podem ir à falência devido às perdas decorrentes da venda abaixo do custo. Em suma, a deflação é um crescimento negativo dos preços médios.
“Os preços acabam caindo sempre que sobram mercadorias por falta de consumidores. Como as empresas não conseguem vender como antes, mesmo a preços menores, o faturamento e o lucro também acabam reduzidos. Para não ficar no prejuízo, elas são obrigadas a diminuir o ritmo da produção e a demitir funcionários. Com o desemprego alto, ninguém costuma gastar além da conta. Por isso, a oferta de serviços e os estoques crescem, tendo como resultado o excesso de bens e preços menores que os de períodos anteriores.
“O processo de deflação ainda pode ser iniciado, ou agravado, pela baixa oferta de moeda. Quer dizer, falta dinheiro em circulação, seja por causa dos juros altos, que tornam o crédito inacessível, ou, seja pela falta de investimentos. Essa bola de neve costuma afetar todos os setores da economia, do agricultor aos fabricantes de eletrodomésticos, além de abalar a própria estrutura social. Por exemplo: se mesmo com os preços reduzidos, a fábrica de automóveis não consegue vender seu produto, haverá queda nas vendas, a fábrica irá demitir trabalhadores, sem receber, o trabalhador deixará de comprar produtos como TV, DVD e assimpor diante. Com isso cai a venda de TVs. As lojas baixam os preços e baixa também a comissão dos vendedores, que deixam de comer fora. Na tentativa de atrair clientes, o dono do restaurante faz sucessivas promoções. Mesmo assim, seu rendimento cai e ele adia a troca de carro, fazendo com que caia a venda de carros, logo o dono stand deixa de poder fazer viagens de família, deixando de usufruir dos serviços das agências de viagens e assim sucessivamente. É um efeito cascata, ou dominó, se derrubar a primeira peça todas as próximas dela (que dependem dela) cairá.”

RESUMINDO:
“Se o índice geral de preços ao consumidor sobe, pode-se dizer que houve inflação no período. Se os preços caem, houve deflação.
“O que determina a inflação e a deflação é a média geral de preços e não de um produto isolado. Se apenas o preço do pão francês sobe ou desce durante um período, isso não pode ser chamado de inflação ou deflação. Houve apenas uma redução ou aumento no valor do produto.
“Deflação é algo bom? Se deflação quer dizer queda de preço - e queda de preço que dizer que você vai gastar menos -, muito provavelmente você deve ter pensado: "deflação é algo bom". Mas a questão não é tão simples. É que a deflação também pode querer dizer que a economia não vai bem. 
“No caso da economia brasileira, a deflação está geralmente relacionada à queda da atividade econômica, que é refletida na perda de poder aquisitivo da população. Ou seja, se as pessoas estão comprando pouco - porque têm pouco dinheiro -, os comerciantes são obrigados a abaixar os preços. Vendem mais barato para não falir, e assim têm menos lucro.”
                                                                                                          
PIB
“OProduto Interno Bruto é a soma de todos os serviços e bens produzidos num período (mês, semestre, ano) numa determinada região (país, estado, cidade, continente). O PIB é expresso em valores monetários (no caso do Brasil em Reais). Ele é um importante indicador da atividade econômica de uma região, representando o crescimento econômico. É a partir do calculo do PIB também que se pode medir  a inflação ou deflação.  Vale dizer que no cálculo do PIB não são considerados os insumos de produção (matérias-primas, mão-de-obra, impostos e energia).
“A Fórmula para o cálculo do PIB de uma região é a seguinte: PIB = C+I+G+X-M. Onde, C (consumo privado), I (investimentos totais feitos na região), G (gastos dos governos), X (exportações) e M (importações).
“O PIB per capita (por pessoa), também conhecido como renda per capita, é obtido ao pegarmos o PIB de uma região, dividindo-o pelo número de habitantes desta região. 
“O PIB do Brasil no ano de  2010, em valores correntes, foi de R$ 3,675 trilhões  (crescimento de 7,5 % sobre o ano de 2009).”


Tabela III - PIB E DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA.

INFLAÇÃO NO BRASIL NO GOVERNO JOSÉ SARNEY (1985-1990).

Imagem I - Plano Cruzado.
“Do ponto de vista econômico, o governo Sarney foi bastante conturbado. Herdeiro dos problemas gerados pelo modelo de desenvolvimento econômico estabelecido durante o Regime Militar e agravado pelas sucessivas crises internacionais, o governo elaborou vários planos para combater a inflação e estabilizar a economia.

Imagem II -  Papel Moeda do Governo Sarney.
 “No dia 28 de fevereiro foi decretado o Plano Cruzado, que estabelecia uma série de medidas, sendo algumas a substituição do cruzeiro pelo cruzado, com corte de três zeros. Todos os preços foram congelados, os salários, também congelados, seriam corrigidos anualmente, ou cada vez que a inflação atingisse 20%, medida conhecida como gatilho salarial. Foi extinta a correção monetária. Foi criado o seguro-desemprego.
“Elaborado pela equipe do então ministro da Fazendo Dílson Funaro, o plano contou inicialmente com o apoio da população, entusiasmada com as perspectivas de estabilização econômica. O povo foi incentivado a colaborar, fiscalizando estabelecimentos comerciais que praticassem preços acima da tabela determinada pelo governo. A inflação foi reduzida, o desemprego diminuiu, o poder aquisitivo da população cresceu. Mas em poucos meses, o Plano Cruzado já apresentava com problemas: muitos produtos desapareceram do mercado e começou a cobrança de ágio, ou seja, o consumidor era obrigado a pagar um tanto a mais sobre o preço estipulado pelo congelamento.


Imagem III - Campanha de Fiscal do Sarney. 
“Em novembro de 86, após as eleições, foi anunciado o Plano Cruzado II, que congelou preços muito acima da realidade do mercado. Com o passar do tempo, a inflação voltou a crescer e, em maio de 1987, já ultrapassavam a casa dos 20% ao mês. O fracasso do plano provocou a queda do ministro Dílson Funaro.
“Em junho de 87, o governo decretou um plano econômico, agora sob a orientação do ministro Luís Carlos Bresser Pereira. O Plano Bresser, como ficou conhecido, visava regularizar as contas públicas, isto é, as despesas do governo. Foi decretado um novo congelamento de preços e salários, por três meses. No final de 87, a nova estratégia econômica já apresentava sinais de esgotamento, por não conseguir manter a política de preços e de salários controlados.
“Maílson da Nóbrega, o quarto e último ministro da fazenda do governo Sarney, tentou ainda outro pacote de medidas para sanear a economia: o Plano Verão, anunciado em janeiro de 1989, que decretou um novo congelamento, criou o cruzado novo e se comprometeu a conter os gastos públicos. Como os demais planos, esse também não obteve os resultados pretendidos. O governo Sarney terminou em ambiente de recessão econômica, especulação financeira e ameaça de hiperinflação.”


Tabela IV -  INFLAÇÃO ANUAL DO BRASIL ENTRE 1984-1989.

HIPERINFLAÇÃO NA REPÚBLICA DE WEIMAR


Imagem IV: Papel Moeda da República de Weimar
No período entre – guerras na Alemanha surgiu a República Democrática Parlamentar Alemã, elaborada na cidade de Weimar, prolongando-se durante os anos de 1919 até 1933. Na reunião estavam presentes em sua maioria partidários das idéias liberais que criaram uma nova constituição que agrupava os direitos civis, os sociais e os trabalhistas e por fim, assinaram o Tratado de Paz de Versalhes em junho de 1919.
A Assembléia foi realizada em Weimar devido, sobre tudo ao clima de instabilidade em Berlim, onde teremos a Revolta Espartaquista (11/1918-03/1919), de Inspiração comunista liderada por Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo e reprimida pelo governo de Elbert (1919-1926).
            O Tratado de Paz de Versalhes era tido como humilhante aos conservadores e nacionalistas alemães devido sobre tudo as cláusulas sobre a o Corredor Polonês (corredor que passava em meio ao território alemão e ligava o país ao mar), ao pagamento da indenização, que resultou na exploração do Vale do Ruhr pelos franceses e belgas.
            A esquerda desgostava do governo democrático pela repressão que sofreram durante as manifestações da Revolta Espartaquista e os militares se diziam neutros.
            A partir de 1923, a inflação na Alemanha chega a níveis absurdos chegando a 1000%, ou seja iniciando o período de hiperinflação. Com isso a um crescimento dos partidos monarquistas e uma associação entre estes e o Partido Nacional Socialista Alemão dirigido por Hitler, tentaram um golpe conhecido como Putsch (Golpe) da Cervejaria na Baviera e acabaram por serem presos.
            Em 1933 Hitler assume como Chanceler e alguns meses inicia um governo autoritário, excludente, anticomunista e nacionalista que consegue recuperar a economia, principalmente pelo investimento em indústria bélica.
Tabela V - República de Weimar.
FONTES E BIBLIOGRAFIA: 

Tabelas e Imagens Plano Crusado:  http://analgesi.co.cc/html/t21147.html e FERREIRA, João Paulo Hidalgo. Nova História Integrada: Ensino Médio: Volume Único, Campinas- SP: Cia da Escola, 2005.
Tabelas e imagem da República de Weimar: FERREIRA, João Paulo Hidalgo. Nova História Integrada: Ensino Médio: Volume Único, Campinas- SP: Cia da Escola, 2005.


OBS: Os textos aqui copiados e devidamente citados foram adaptados para adequação a linguagem de pessoas leigas e não acadêmicas. 

VÍDEOS PLANO CRUZADO


VÍDEO REPÚBLICA DE WEIMAR


Um comentário:

Heitor Farias, Bruno Sousa, Caio Furtunato, Gabriel Del e Rodrigo Lira. disse...

Post sensacional, estou fazendo um trabalho sobre o governo de Sarney e esse site está me ajudando enormemente.

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